segunda-feira, 25 de abril de 2016

"There's no turning back, baby!" - E ainda bem que assim é!



Comemoram-se hoje os 42 anos do 25 de Abril de 1974. Isto quer dizer que já há marmanjos e marmanjas quarentões que não têm memória pessoal do dia que mudou tudo. É o destino de todas as comemorações, o de se transformarem apenas numa data que até é feriado e tudo e dá imenso jeito.
Mas existem certas datas das quais não devemos esquecer o significado - são demasiado importantes para as esquecermos, sejam elas a Restauração da Independência, a Implantação da República ou a Libertação da Ditadura.
E não vale dizer que não se atingiram os objectivos propostos - conseguiu-se a liberdade, e a partir desse momento passámos a ser responsáveis por todos os nossos actos em comunidade, bons ou maus, certos ou errados, pelos objectivos que conseguimos atingir e pelos que ainda não atingimos. Portanto, tendo liberdade, poderemos ter tudo! Só depende de nós.
Temos a liberdade de concordar e, mais importante ainda, de discordar e podemos dizer qualquer barbaridade como a de que a Coreia do Norte é uma democracia ou que no tempo do Salazar é que havia respeito e, no entanto, as únicas pessoas que nos continuam a bater à porta a horas impróprias para nos fazerem perguntas são as testemunhas de jeová...
Tu, que por força da idade que tens não viveste o antes, larga a merda do telemóvel e pensa nisso.
É por isso que dizemos "25 de Abril Sempre!" - porque a Liberdade não poderá nunca faltar.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes revoltosos

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

À dúzia é mais barato


Ainda gostava de saber porquê, mas é o que se costuma dizer. Por aqui continuamos em hibernação ou, se quisermos algo mais “science-fiction”, mantemo-nos em estase (não confundir com êxtase, que isso não é para aqui chamado...) há já algum tempo – o raio do Facebook concentrou mais atenções e retirou-as deste meio menos imediatista. Não há nada de mal nisso, a não ser o facto de não lerem nada de novo por aqui. Podem sempre escarafunchar nos posts antigos – no meio de tantos, alguns de certeza continuarão actuais.

Mas a mexer ou crio-preservados, continuamos a existir e fazemos hoje mais um ano. Uma dúzia! Parados ou não, já é uma cabazada!

Cá vos esperamos para o ano. Ou não.

Como dizia o outro, vamos continuar a andar por aí.

tuguinho e Kroniketas, bloguistas em salmoura

sábado, 25 de abril de 2015

Não se fecham as portas que Abril abriu


Na véspera do 41º aniversário da Revolução dos Cravos, a notícia do dia era a aberrante proposta dos partidos do “arco da governação” (entenda-se, aqueles que se governam) para submeter a uma apreciação prévia os planos de cobertura da campanha eleitoral por parte dos órgãos de comunicação social. Um exame prévio, ao melhor estilo da censura vigente no regime que o dia que hoje se comemora derrubou.

Perante esta deplorável proposta, que representa um retrocesso de 41 anos na nossa democracia, os órgãos de comunicação dos grupos privados tomaram a única posição decente: se esta lei for em frente, boicotarão a campanha eleitoral.

Era um favor que nos faziam. Esta gentinha que se alcandorou ao poder e que se julga dona do país tem de ser corrida, se for preciso a pontapé, à pedrada, a tiro ou à bomba. E, para começar, nada como a comunicação social deixá-los a falar sozinhos, porque já ninguém tem pachorra para os ouvir.

Ao fim de 4 anos de um governo que tem colocado sucessivos pregos no caixão em que se quer enterrar de vez o 25 de Abril, compete ao cidadãos zelarem para que uma classe política oportunista, incompetente, desonesta e sem sentido democrático não feche “as portas que Abril abriu”, como disse o poeta Ary dos Santos.

Por isso, é hora de, mais uma vez, fazermos ouvir a nossa voz e gritarmos bem alto:

25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!
25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!
25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!

tuguinho e Kroniketas, descendentes de Abril

Foto retirada daqui, com a devida vénia

domingo, 11 de janeiro de 2015

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Prova de vida 2014


Ainda andamos por aqui. Quase parece que não, mas andamos. Pelas Krónikas Viníkolas, pelo Facebook, por outros lados, e menos por aqui, neste blog que foi o precursor das nossas actuais actividades de internautas.

Apesar da quase ausência, recusamos deixá-lo morrer. Um dia destes pode ser que nos dê novamente vontade de o usar como palco para as nossas declarações. Quem sabe?

Até lá, vamos pelo menos fazendo a nossa prova de vida anual, à laia de aposentados, além de diletantes e preguiçosos.

Bem hajam.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Portugal - Albânia: Vergonha? Escândalo?

Após a derrota com a Albânia, que mereceu pelo mundo fora comentários como “ridículo”, “vergonhoso” ou “bizarro”, Paulo Bento não encontrou melhor do que afirmar que "colocar já tudo em causa no final da primeira jornada não me parece o melhor caminho". O problema, que Paulo Bento parece não perceber, é que não se trata de colocar "já" tudo em causa à primeira jornada: o problema vem de trás, da campanha miserável no Brasil. Já estava tudo em causa antes desta qualificação se iniciar, a começar pelo próprio Paulo Bento. Foi, aliás, como muitos analistas realçaram, a primeira vez que Portugal não passou a fase de grupos dum Mundial ou Europeu e não houve consequências para o seleccionador: só para o médico! E Carlos Queirós ainda foi crucificado em praça pública, de norte a sul, após o Mundial-2010, em que fomos eliminados nos oitavos-de-final pela campeã do Mundo e da Europa! Ao pé do Mundial-2014, o Mundial-2010 foi brilhante!

Se Paulo Bento não fosse obstinado e tão teimoso como um burro teimoso, se tivesse um mínimo de visão estratégica, se não convocasse ou desconvocasse jogadores por mera birra ou capricho, perceberia que, não sendo o problema só dele, também passa (e muito) por ele. Ele já não é (se é que alguma vez foi) parte da solução, passou desde há muito a ser parte do problema. E se tivesse dignidade não pedia a demissão: demitia-se JÁ! Não, hoje, não amanhã: JÁ! Irrevogavelmente!

E o mesmo devia fazer o presidente da FPF, que descobriu brilhantemente que “não fomos competentes” e despediu o médico! O que Henrique Jones deve estar a rir-se por dentro a esta hora...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Todos gostamos de números redondos


Neste ano em que se comemoram quatro décadas sobre o evento que alterou para sempre a vida de todos os portugueses a situação está difícil e, no espírito de alguns, surge a pergunta se valeu mesmo a pena. Desculpem a franqueza, mas esta é uma dúvida estúpida: basta olhar para os indicadores da época e para os actuais para vermos a evolução tremenda que aconteceu nos últimos 40 anos! Os mais cínicos dirão que até durante o regime fascista as coisas evoluíram, e é verdade, mas esses números não são comparáveis aos do pós 25 de Abril. Todos os que viveram nessa época obscura se recordam certamente de como viviam as pessoas e de como eram as coisas. E nem estamos a falar do que não havia: liberdade de expressão! Só essa conquista já justificaria a Revolução de Abril, mas ganhámos muitas outras coisas que, hoje em dia, as pessoas já se tinham habituado a considerar como garantidas.
E é aqui que mora o problema actual: questionar o valor do 25 de Abril é estúpido (excepto para uns quantos fascistóides que ainda por aí andam), questionar porque estamos na actual situação é pertinente e, neste caso, ninguém é inocente. Desde o “não-político” Cavaco a Guterres, do Barroso da tanga que fugiu ao Sócrates da nossa desgraça, todos têm uma parte da culpa pela situação económica a que chegámos. Mas não é por isso que Sócrates deixa de ter razão quando disse que a dívida não se paga, gere-se – não se deve aviltar a mensagem só por não gostarmos do mensageiro. Aqui para nós, alguém acredita que todos estes sacrifícios a que fomos sujeitos pela última leva de políticos de aviário nos vai permitir pagar a dívida? Claro que não! Que alguma coisa tinha de ser feita era certo, mas este ajoelhar perante os mercados, esta atitude de ser mais papista que o Papa, esta sanha raivosa contra os mais pobres e desprotegidos “esconde” algo mais sinistro do que o pagamento da dívida: é toda uma atitude revanchista que ataca tudo o que de bom se tinha construído nestes últimos 40 anos sem dar nada em troca! Tudo o que foi feito até agora pelos que realmente estão a mandar no país (e de que o títere Passos Coelho é apenas o frontispício) tem objectivos bem precisos e o pagamento da dívida é só o pretexto: acabar com a mobilidade social, acabar com o Serviço Nacional de Saúde, transformar a Segurança Social em caridadezinha, acabar com a educação para todos, esmagar a classe média, etc., etc… e a criação da ideia de que não há alternativa surge como a fundação para tudo o resto…

No meio de tudo isto é fácil tomar a nuvem por Juno e culpar o que nos deu um mundo novo e a possibilidade de questionar esse mundo em vez dos verdadeiros culpados. A única forma de sairmos deste poço em que nos encontramos é reforçar os valores de base que o 25 de Abril nos concedeu, não é procurar salvadores miraculosos nem receitas duvidosas. É não nos limitarmos a votar e esquecer a política o resto do tempo (e contra nós próprios falamos). É sermos mais cidadãos do que eleitores.
Não duvidemos, estes cães mordem-nos mas a caravana há-de passar, a bem ou à força – meus senhores, não tomem como garantidas as cadeiras em que estão sentados. Não seriam os primeiros a cair delas… E não, não somos perigosos revolucionários, somos apenas dois cidadãos que não se conformam com esta canga que nos puseram.

Viva o 25 de Abril! Viva Portugal!

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos (de cravo vermelho na lapela mas ainda sem G-3 na mão)

 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dos cravos da esperança à revolução em liberdade

Com a devida vénia, reproduzo abaixo um brilhante texto sobre o 25 de Abril, publicado aqui, no blog do FRES. Tiro o meu chapéu e curvo-me respeitosamente perante o brilhantismo e a clarividência deste testemunho.

Um aplauso!

"A Revolução de Abril é digna de singularidade histórica. Não me refiro à ingenuidade associada à escassa assertividade quanto ao caminho até agora traçado e às decisões tomadas ao longo das últimas quatro décadas. Refiro‑me à espontaneidade de um povo que, de um modo geral, transformou o veneno da dor e a sede da vingança em cravos da esperança.

Ante as atrocidades cobardes desferidas por batalhões de repressores com raciocínio automático e curto e com orelhas maiores do que as suas cabeças, seria expectável que com a Revolução se aplicasse a justiça do olho por olho, dente por dente. Ou seja, esperar‑se‑ia que a justiça viesse não só com a pena de prisão mas com a merecida (e no mínimo comparável) tortura física e psicológica. Ao invés, a aguardada sentença de dar a conhecer aos carrascos o inferno terrestre foi substituída pela amnésia de ignorar as desumanidades impostas pela lei da miséria a muitos milhares de patrícios trabalhadores e íntegros.

Meteu‑se tudo no mesmo saco: os que, apesar de exercerem as suas funções profissionais de defesa do regime ditatorial, ali e além transpiravam sinais de quem vivia em conflito com a própria consciência – admito que houvesse pessoas do regime com algum sentimento –; e os que desempenhavam, de corpo e alma, a tarefa vil de regar com tortura o desejo de liberdade acerrimamente enraizado no sonho dos indefesos que estiveram sob a mira dos informadores ignóbeis e dos gorilas abjetos da doutrina da desgraça. Por não ter existido qualquer distinção, como acabou de ser mencionado, parece que até em termos de perdão a democracia quis estabelecer‑se. Custou aceitar, sobretudo quem conviveu permanentemente com a lembrança insanável do passado.

Praticamente nada aconteceu aos carniceiros que, julgando‑se os representantes máximos de um Deus maior, vasculharam os sentimentos e os valores de jovens e de homens e mulheres adultos; espancaram e assassinaram sem piedade nem razão; praticaram a insuportável tortura do sono; perpetraram outros inúmeros sofrimentos sórdidos aos inquiridos durante os interrogatórios, tais como arrancar unhas, apagar cigarros na pele ou – como fizeram ao meu avô – espetar na cara garfos de ferro (bem afiados, não como os de inox). A suavidade ou a impunidade da resposta no pós-25 de Abril aos crimes cometidos foi extensível aos mentores e aos capatazes, nomeadamente, da «frigideira» do Tarrafal, das idas para o «segredo» dos cárceres e das celas subterrâneas encostadas ao mar para que os presos políticos beneficiassem do conforto de uma cama de água salgada independentemente da estação do ano.

Tantas crianças órfãs, tantas viúvas desconsoladas, tantas mulheres humilhadas, tanta virilidade infértil; enfim, tantos telhados que desabaram nos lares escuros da fome, iluminados apenas pela desconfiança e pelo medo. Sacrifício hercúleo para cumprir com a vida a função do livre pensamento que se impôs aos bravos que desafiaram a opressão, monstro de dezenas de milhares de tentáculos viscosos e inúmeras vezes venenosos, e que a ousaram fitar de cima para baixo. Compreensivelmente, quem viveu na primeira pessoa as crueldades da ditadura sentiu o sabor amargo da injustiça e pôde, com total e exclusiva autoridade, concluir que o sofrimento foi em vão. Como o magnífico José Mário Branco escreveu e musicou, «Quando a nossa festa se estragou/E o mês de Novembro se vingou/Eu olhei para ti/E então entendi/Foi um sonho lindo que acabou/Houve aqui alguém que se enganou». Os excessos esboçados ou praticados desde abril de 1974 até novembro de 1975 foram uma gota perante o rio de sofrimento contínuo a que a chusma foi submetida.

O sentimento da sublime libertação popular consumou‑se em termos políticos em 1974. Acima do que Hermes fizera ao gigante Argos de cem olhos, os combatentes lusitanos usaram a espada da liberdade para decepar o monstro atrás descrito. Quando brotou a primavera não houve tempo para a vingança. Esta morreu no mesmo instante em que nasceu a tão aguardada esperança. Cumpre reconhecer que somente uma gente pachorrenta mas nobre em intenção incorpora tamanho estofo, de passar o sofrimento para o estrato mais baixo do esquecimento.

Duas décadas depois, a História registou a repetição de um perpétuo episódio semelhante referente à capacidade de perdoar os carrascos: o conduzido por Nelson Mandela. Xanana Gusmão, nos primeiros anos deste milénio, deu o mesmo exemplo de reconciliação nacional, ao fim de a excelsa população timorense ter sido submetido a cerca de três décadas de barbárie. Apenas os povos e as pessoas de superior dimensão conseguem tamanhos feitos de humanismo.

Para honrar os que tiveram de padecer como a única via para podermos inalar um futuro diferente, a homenagem que continua em falta consiste em colocarmos a reflexão e a vontade, despidas de umbiguismos, ao serviço do bem comum. Haja humildade para reconhecer que o derrube do muro da ditadura não abriu todas as portas da verdadeira democracia. Urge agora derrubar as muralhas da ignorância e do egoísmo, para sair do mundo da palavra e entrar no da ação.


É o que ainda carece. Para não dilapidar mais o tempo, tarda a segunda parte da revolução: a revolução em liberdade. Esta era com certeza a convicção última, e porventura íntima, dos compatriotas que sofreram durante o carcomido Estado Novo e se entregaram desinteressada e heroicamente à façanha da mudança de destino do País. Liberdade à alma dos que tombaram para alcançar a primeira fase da revolução. Ao fim de quarenta anos é hora de concretizar a segunda fase da obra."

domingo, 5 de janeiro de 2014

Até sempre, Pantera Negra



Eusébio da Silva Ferreira
(25/1/1942 - 5/1/2014)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano novo, vida velha



As Krónikas Tugas e as Krónikas Viníkolas desejam a todos os seus fornecedores, clientes, amigos, leitores, visitantes, comparsas, parceiros, colaboradores e mais todos aqueles que têm pachorra para nos aturar, um bom ano de 2015 (como já se prevê que 2014 vai ser ainda pior do que os anteriores, achámos melhor saltar já um ano...).

tuguinho e Kroniketas, os enófilos bandalhos diletantes preguiçosos

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A pessegada do Natal

O que mais me chateia nesta época do ano é a proliferação, até à náusea, dos votos de boas festas em todo o lado, e principalmente aqueles insuportáveis sininhos que TODAS as estações de rádio e televisão põem em todos os seus anúncios e separadores!

Tomara já que chegue depressa o dia 6 de Janeiro para terminar de vez esta pessegada durante os 11 meses seguintes...

Kroniketas, sempre kontra as tretas e farto do Natal antes de este chegar...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Dez Anos


Uma década se passou desde que este blog foi criado. Embora continue em estado catatónico não está morto, e até pode ser que recupere um destes dias, assim a pancada dos autores lhes dê novamente para escreverem aqui. Nesta altura os vinhos levam a primazia, o Facebook leva o protagonismo e aqui não surge nada de novo, por falta de tempo e da chamada “pachorra”. Mas nunca se sabe!

Entretanto cá vamos dando sinal de vida, que mais não seja com o post de aniversário.

Que venham mais dez anos!

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Execução fiscal a mortos

Não consigo deixar de me surpreender com a incompetência, prepotência e estupidez que grassa pelos serviços de Finanças de Odemira, que para além de notificarem pessoas que faleceram há mais de 30 anos e para uma morada onde nunca viveram, ainda se acham no direito de aplicar execuções fiscais a bens que foram alienados há mais de 40 anos e cujos artigos já nem existem.

Atitudes deste género são típicas de quem acha que pode aterrorizar os contribuintes com ameaças de penhoras e a quem tudo é permitido, porque se acham no direito de esmifrar quem lhes apetece e quando lhes apetece, mesmo que isso resulte do péssimo funcionamento dum serviço que, para além de sugar o dinheiro do Estado, mais não faz que assaltar sem dó nem piedade aqueles que, não tendo meios para se defender, se vêem compelidos a pagar ao fisco despesas que não lhes compete.

Neste particular as finanças de Odemira primam pelo destaque, pois qualquer imbecil que resolva chatear um contribuinte que já morreu, até se dá ao desplante de aplicar uma coima e fazer uma notificação para uma morada que não é nem nunca foi a do falecido. De facto, neste serviço parecem ter-se juntado ao longo dos anos os melhores exemplares da estupidez, da imbecilidade, da incompetência e do total desrespeito pelos cidadãos que nada fizeram para ser esbulhados por este bando de gatunos.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Que reforma do Estado?

Fala-se muito por estes dias na necessidade de proceder a uma “reforma do Estado”, invocando quase sempre como motivo o peso excessivo que os salários da função pública têm na despesa pública, sempre sob a alegação de que existe excesso de funcionários. Os números reais contrariam esta tese, pois quer a nível da população activa quer a nível do peso dos salários em relação ao PIB, Portugal não só não está acima da maioria dos seus parceiros europeus como, pelo contrário, até fica abaixo da média da UE-27, da zona Euro e da OCDE nesses indicadores. Acresce que actualmente Portugal tem ao seu serviço cerca de 575.000 funcionários públicos, o valor mais baixo dos últimos 20 anos...

Que o Estado português é ineficiente, lento, pesado, excessivamente burocrático, e que muitas vezes atrapalha mais o cidadão que deveria servir do que ajuda, e que parece muitas vezes existir apenas para se alimentar a si próprio e continuar a subsistir, é uma realidade que todos, utentes dos serviços públicos, conhecemos por experiência própria, independentemente de trabalharmos no público ou no privado. Trabalhando no público, porém, conseguimos perceber melhor porque é que muitas vezes o aparelho burocrático funciona tão mal, e a razão menor não é, seguramente, esse excesso de burocracia. Quase sempre se complica o que é fácil, em vez de simplificar.

A pretexto do gigantismo do Estado, o governo actualmente em funções encetou uma política de requalificações e rescisões amigáveis que mais não visa, em termos objectivos, que ver-se livre de uns quantos milhares de funcionários para poupar nos salários, mas sem que a essa redução corresponda uma efectiva reestruturação dos serviços, uma racionalização de recursos e muito menos um acréscimo da sua eficiência. Na realidade, até à data não se conhece qualquer estudo que indique quantos e quais funcionários existem a mais e em que serviços é que os mesmos são dispensáveis. Alguns especialistas referem mesmo que se corre o risco de, ao fazer cortes cegos no pessoal, pôr em causa o funcionamento dos próprios serviços ao dispensar funcionários administrativos que, mesmo pouco qualificados, são essenciais. O reverso da medalha poderá ser a necessidade de posteriormente ter de contratar os mesmos serviços externamente e, provavelmente, pagando mais, e dessa forma desmantelando toda a poupança em gastos que era pretendida.

Uma reforma do Estado séria e pensada, se fosse realmente essa a intenção, teria de começar muito a montante, por um estudo e debate aprofundados a nível nacional, envolvendo todas as forças políticas e os cidadãos. Se queremos ter “menos Estado e melhor Estado”, temos de começar por equacionar estas questões:

1. Que tipo de Estado queremos? Quais são as suas atribuições, que serviços deve prestar aos cidadãos, quais são aqueles que deve chamar a si, quais são os que deve delegar aos privados? Funções como a segurança, defesa nacional, justiça, educação, saúde, fornecimento de serviços de abastecimento (águas, gás, electricidade), telecomunicações e transportes, ordenamento e protecção ambiental e territorial, entre muitos outros, quais deve o Estado chamar a si e de quais pode ou deve prescindir?

2. Respondida esta questão, outra resulta directamente dela: quantos e quais ministérios devem existir para dar cumprimento às funções que o Estado se propõe efectuar? Deveria ser definida entre todas as forças políticas uma estrutura de ministérios sólida, coerente e, sobretudo, estável. Não faz qualquer sentido que se esteja constantemente a aumentar e diminuir ministérios ao sabor dos caprichos de cada governo ou de cada governante, ora juntando pastas que não devem estar juntas em mega-ministérios, ora pulverizando atribuições em mini-ministérios cuja existência dificilmente se justifica. Esta constante arbitrariedade na reestruturação ministerial, com as próprias e frequentes mudanças de nomes, logotipos e endereços de correio electrónico, que custos têm em termos de gastos em dinheiro, tempo e eficiência? O Ministério da Agricultura, por dar um dos exemplos mais aberrantes, já foi de “Agricultura e Pescas”, da “Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas”, da “Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território”, e agora é apenas da “Agricultura e do Mar”. As próprias designações são por vezes ridículas. Já existiu um Ministério do Mar, tal como agora o antigo Instituto de Meteorologia passou a Instituto do Mar e da Atmosfera. Que sentido fazem estes nomes e o que se ganha com estes constantes ziguezagues? O mesmo se aplica aos Institutos Públicos e Direcções-Gerais, que mudam de nome para continuarem a ser conhecidos pelos nomes antigos, como aconteceu com o “INA – Instituto Nacional de Administração”, que passou a chamar-se “Direcção-Geral da Qualificação dos Trabalhadores em Funções Públicas – INA”! seria cómico se não fosse trágico...

Deveria haver, aqui sim, um pacto de regime a sério, que definisse qual a estrutura dos ministérios existentes e que não poderia ser alterada num prazo de 20 anos, independentemente das mudanças de governo verificadas, o mesmo acontecendo com as respectivas estruturas dirigentes. Para se obter ganhos de eficiência, os organismos devem continuar a funcionar normalmente sem estarem submetidos aos calendários eleitorais, nem serem objecto duma interminável dança de cadeiras sempre que há mudança de governo.

3. Definida a estrutura ministerial, com as respectivas direcções, institutos e todos os organismos realmente necessários, é chegada a hora de determinar qual a dimensão e a missão de cada um. E só aqui chegados faria sentido pensar com rigor e objectividade em quantas pessoas seriam necessárias para levar a cabo a missão que compete a cada organismo. E aí poderia encontrar-se excesso de funcionários nuns locais mas também escassez de funcionários noutros. Aí, sim, faria todo o sentido uma requalificação de funções, de modo a permitir o aproveitamento de funcionários excedentários num local noutro onde fizessem falta, e não a falsa requalificação que actualmente se pretende, apenas com o objectivo de lhes pagar menos e finalmente despedi-los.

Finalmente poderia chegar-se a um modelo em que estava perfeitamente definido o papel que se pretende do Estado e em que cada posto de trabalho existiria com um objectivo e uma missão. Isto era o que seria uma reforma séria e verdadeira, que permitiria redimensionar o Estado dum modo racional e pensado com lógica. Um governo sério que pretendesse efectivamente reformar o Estado e torná-lo mais leve e mais eficiente teria obrigatoriamente de ir à raiz do problema e começar o debate pelo início. Aquilo que se pretende fazer não passa duma operação de cosmética, de ganhos altamente duvidosos e, possivelmente, com resultados a prazo mais onerosos para as contas públicas.

Publicado em Fórum de Reflexão Económica e Social

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Os reformados da hierarquia do Estado



A Sra. Presidente da Assembleia da República comportou-se de forma mais indigna do que os manifestantes cujo comportamento verberou. A sua frase é indecorosa e vergonhosa, e se alguma coisa precisa de ser revista é quem se põe a dirigir a casa da democracia. Pelos vistos, para a Sra. Presidente a democracia só funciona se for musculada e se o Zé Povinho se limitar a obedecer à lei do chicote e bico calado.

Bem pode vir agora justificar-se com a metáfora: pior a emenda que o soneto. Chamar "carrascos" no sentido em que o fez citando Simone de Beauvoir, que se referia aos nazis, ainda é pior do que se tivesse ficado calada.

Não é só o governo que precisa de demissão: a Sra. Presidente também. Faça um favor aos portugueses e à democracia que supostamente pretende defender e vá gozar a reforma que o Estado Português lhe paga para casa. Quem ofendeu a democracia não foi o povo que exerceu o seu direito de liberdade de expressão, mas sim a Sra. Presidente.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Provar do próprio remédio

Se Cavaco Silva fosse primeiro-ministro e estivesse na oposição, aceitaria a solução proposta pelo Cavaco Silva presidente? É bom que se lembre do que fez quando era primeiro-ministro. Depois da maioria absoluta de 1987, nas eleições de 1991 o então líder do PSD avisou que, se não tivesse novamente maioria absoluta, "assumirá o que é normal: a oposição" - palavras textuais.

Desde que é PR, os seus discursos de Estado são das coisas mais lamentáveis e vergonhosas a que tenho assistido na nossa democracia. O discurso de vitória foi uma vergonha para alguém digno do cargo, coisa que Cavaco não é. Tem mostrado à saciedade que é vingativo, revanchista.

Acho muito bem que o PS não alinhe numa solução de fantochada. Ele que forme um governo de iniciativa presidencial com a maioria existente ou convoque eleições. Pois é, democracia também é isso, ninguém é obrigado a fazer parte duma solução com que não concorda.

Cavaco quis entalar o PS, mas foi o PS que o entalou com a resposta que deu... Quero ver como é que ele vai descalçar esta bota. Que prove do seu próprio remédio a ver se gosta.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Estamos mais pobres

  
Um dos elementos fundadores do núcleo duro daquilo a que chamámos o Grupo gastrónomo-etilista “Os Comensais Dionisíacos” já não está connosco. Mestre Mancha, em cuja casa realizámos inúmeros repastos e incontáveis provas, em que passámos tardes e noites longas a falar de tudo e de nada, de nós e da vida, e também de vinho e comida, partiu sem nos dar tempo para nos despedirmos dele.

Ainda há poucos dias estivemos todos juntos à mesa, a degustar o que ele mais gostava, os tintos clássicos da Bairrada, numa das muitas ocasiões registadas mas ainda não contadas (e ainda há tantas para contar), mas já não poderemos contar com ele para dar a sua opinião sobre aqueles que tínhamos comprado e que ainda estão à espera de ser provados...

Há uma frase feita que diz que ninguém é insubstituível e que os cemitérios estão cheios de insubstituíveis. Mas na verdade ninguém é substituível, porque o lugar que ele ocupava não pode ser ocupado por mais ninguém, e porque quando perdemos um dos nossos perdemos também uma parte de nós próprios.

Neste momento de luto e de pesar, curvamo-nos respeitosamente perante a memória do nosso amigo e fazemos também o nosso luto, interrompendo as publicações neste blog durante a próxima semana.

Resta-nos apenas brindar em sua homenagem... com um tinto velho da Bairrada, naturalmente.

Para ti, Zé, de todos nós.

Os diletantes preguiçosos, tuguinho e Kroniketas, mais o caçador, o pirata, o fotógrafo, o Politikos, o bandeira e o marmelo

PS: Quando nos encontrarmos, tem um copo de Bairrada á nossa espera.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25



Nestes tempos de desânimo e em que o objectivo dos nossos “líderes” é fazer-nos empobrecer, que significado tem comemorarmos mais uma vez a revolução do 25 de Abril?

Será que falhou? Será que falhámos? Podemos não ter chegado onde desejávamos, mas basta comparar as situações política, social e económica no antes e no depois para nos deixarmos de falácias e de invocar dons sebastiões, chamem-se salazar ou outra porcaria qualquer.

Sim, temos um governo que nem sequer possui o pingo de vergonha que ainda restava aos anteriores e um presidente da República mesquinho, que nem para amanuense obscuro devia servir, mas Portugal vai muito para além disso e é muito para além disso. No futuro, assim daqui a umas décadas, ler-se-á certamente Saramago mas poucos saberão quem foi este cavaco.

Costuma dizer-se que os cães ladram mas a caravana passa – deixemos então estes cães sarnentos ladrar e integremos a caravana que passa. E se a caravana não for a ideal, modifiquemo-la, e não liguemos aos cães.
Já dizia o Manuel Alegre:

"Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não."

Haveria muito mais a dizer? Certamente. Fica para outros dias…

tuguinho, cínico adiado

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Prova de Vida *


É esta a primeira vez que festejamos mais um aniversário desde a última vez que o fizemos, parafraseando um conhecido e ancestral idiota da nossa política.

Neste tempo prenhe (por descuido no uso de métodos contraceptivos) de acontecimentos a pedirem comentário e crítica, mantemo-nos calados, não por respeito ou opróbrio**, mas simplesmente por preguiça, essa nobre atitude tão incompreendida. Daí continuar este blog em estado latente, que não lactente porque já faz hoje 9 anos!

Assim, na pior das hipóteses, vemo-nos para o ano no mesmo dia, isto se os Maias*** não tiverem razão.

Bem hajam.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

* Tem de ser, porque senão deixam de nos pagar a pensão.

** Podíamos ter escrito "vergonha" ou mesmo "ignomínia", mas decidimos aumentar o léxico do leitor em mais uma palavra.

*** Desambiguação: Maias, o antigo povo centro-americano; não confundir com a conhecida família cigana nem com os Maias do Eça que, no que é do nosso conhecimento, nunca fizeram calendários.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Os chulos da Polícia Municipal

Desde que António Costa é presidente da Câmara temos assistido a uma ofensiva indecente sobre os automobilistas que têm de se deslocar nesta cidade. Essas duas entidades aberrantes chamadas EMEL e Polícia Municipal só existem para fazer caça à multa e perseguir os automobilistas que são tratados como criminosos. Não se pode estar em lado nenhum descansado ser ter o credo na boca com o risco de ver o carro bloqueado se passar 5 minutos da hora do parquímetro ou se o carro estiver num local em que a Polícia Municipal resolva fazer uma razia só porque lhes apetece.


Ainda hoje pelas 9 da manhã a Polícia Municipal estava a bloquear carros estacionados numa rua lateral à 24 de Julho, ao pé do bingo do Atlético, onde não existe mais nada a não ser um passeio meio desfeito e esburacado por onde ninguém circula e onde apenas existe uma rede a cercar um terreno cheio de ervas. Certamente precisam de fazer a receita do dia, portanto nada como começar logo de manhã a lixar os automobilistas que têm de se deslocar para ir trabalhar. Não existe lá nenhum prédio, nenhum sinal de estacionamento proibido, não atrapalha o trânsito. Simplesmente os chulos da polícia não devem ter mais nada de útil para fazer portanto toca de bloquear toda a gente. Sim, porque regular o trânsito em horas de ponta dá muito trabalho, isso eles não fazem.

FILHOS DA PUTA, CHULOS DE MERDA!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O regresso da ideologia pura à economia ou o PREC da direita mirim

Aqui reproduzimos com a devida vénia.

http://educar.wordpress.com/2012/09/09/o-regresso-da-ideologia-pura-a-economia-ou-o-prec-da-direita/

A ideia nem é muito original, pois tal como me ocorreu há algum tempo, ocorreu a outros.

Tal como em 1975 se governou com base quase total na aplicação de uma ideologia, o mesmo se vai passando em 2012.

Desde 1975 que um grupo de pessoas na sociedade e na vida política que navegam entre o PSD e o CDS culpa o PREC pelo que chamam a destruição económica do país, confundindo o seu despojamento pessoal ou familiar com o do país. e há muito acalentavam a ideia do desforço. De responder aos excessos com outros excessos.

Essa tentação é especialmente visível numa geração mais nova, dos filhos dos que nessa altura sofreram na pele os desmandos da Esquerda mais canhota. Que nem sempre viveu com clareza o que se passou (alguns mal eram nascidos ou nem o eram…) mas ouviu falar em coisas terríveis, truncadas em muitos casos, justificadas em outros.

O engenheiro deu-lhes o pretexto ideal para se vingarem sem parecer que o estão a fazer, pois alegam que foi o socialismo (só porque o PS tem socialista no nome) que nos conduziu aqui.

E, usando esse pretexto, praticam um alegado anti-socialismo. Caracterizando instrumentalmente como socialismo a governação do PS de Sócrates, obliteram quem em pouco ela se distinguiu da governação do PSD de Cavaco.

E passam a uma prática que reputam de liberal, mas que não não passa do que da inversão do papel tradicional do Estado na redistribuição da riqueza numa social democracia. em vez de irem buscar aos que mais têm, para ajudar os mais despojados, optaram por ir buscar à maioria (não digo aos 99% mas pelo menos aos 90%) para dar a uma estreita minoria.

Tudo com base numa perigosa mistura de preconceitos pessoais com a adesão quase acrítica a teorias que parecem atractivas por se oporem a.

Se existir o cuidado de traçar o trajecto pessoal e familiar dos ideólogos do actual Governo (a maioria a parasitar na sombra dos testas de ferro) ou dos principais vultos da governação encontramos traços muito comuns acerca do que faziam e onde estavam os seus pais ou parentes mais próximos no 25 de Abril de 1974 (direitos de autor para Baptista Bastos).

Quase todos estavam a fazer coisas ou em locais que foram obrigados a abandonar no ano que se seguiu.

Isto não significa qualquer insinuação de adesão ao Estado Novo, mas sim de desafeição em relação ao que se passou no PREC, do qual a memória traumática lhes foi transmitida até ao momento que pudessem vingar-se, fazendo a contra-revolução social e económica que sentem ter-lhes sido negada desde então.

As medidas de austeridade anunciadas por Passos Coelho na 6ª feira são o passo mais claro nessa direcção de adesão a um modelo sócio-económico revanchista e baseado em teorias fortemente marcadas pelos princípios bushistas do republicanismo americano mais radical: reduzir os encargos com o trabalho para reforço económico do capital. O pretexto é que assim existe maior competitividade por parte das empresas para competirem no mercado global e, ao crescerem, produzirem a médio prazo mais riqueza e emprego.

Isto é assim em alguns livros e países do sueste asiático com um modelo socio-laboral de quase neo-servidão. Ou o modelo da China e da Índia, para citar os chamados emergentes do núcleo BRIC. Em que a expansão económica foi baseada no comércio externo, com exportações a preços hiper-competitivos, graças a uma mão-de-obra paga a valores irrisórios para os padrões ocidentais.

Mas que dificilmente funcionará na Europa, onde o modelo social (mesmo que em crise) não é o da neo-servidão, pelo menos por enquanto. E onde se sabe de há muito que o crescimento só se sustenta com um consumo interno forte e estável. Qualquer mediano estudioso de História Económica sabe isso e não adianta dizermos que o novo mundo da globalização é diferente de tudo o que conhecemos no passado. A aposta nas exportações faz sentido no sentido de uma dinâmica de expansão, mas é demasiado volátil para servir como base para um crescimento sustentado. Há 200 anos ou agora.

Não adianta apostar apenas na maior competitividade no mercado externo, retraindo por completo o consumo interno, pois isso fará muitas empresas falirem, criando mais e mais desemprego, e aumentando a vulnerabilidade á entrada de produtos orientais de largo consumo e baixo preço.

Para além disso, há uma diferença entre os países que cresceram a partir de pontos muito baixos dos custos de trabalho e a tentativa de empobrecer um país para que ele re-arranque com sucesso. Quando isso fosse possível, já a oportunidade teria passado.

Nem vale a pena ir desempoeirar os manuais de macro-economia do Samuelson e outros ou as clássicas histórias dos arranques industriais contemporâneos para perceber isso...

O sucesso está em protagonizar uma verdadeira mudança das práticas, não em replicar o que já não é inovação.

A vingança dos jotinhas

Lá diz o ditado: atrás de mim virá quem de mim bom fará. Para quem tanto se queria ver livre do Sócrates, o resultado da mudança está à vista.

Acredito piamente que a história não acaba assim e que Passos Coelho não baixará os braços enquanto não acabar o trabalho. De facto o trabalho ainda não está concluído, mas para lá caminha rapidamente. Por este andar, Portugal regressará a um nível de vida e desenvolvimento talvez equiparável ao princípio do século XX e voltará a ter uma população maioritariamente miserável e uma classe dominante que tudo devora. Talvez uma réplica da época dos czares da Rússia ou do xerife de Nottingham das histórias de Robin dos Bosques.

Aí, sim, Passos Coelho já poderá ir para casa descansado, porque já terá entregue todo o poder e riqueza aos seus amigos, terá destruído o tecido social e enterrado todas as conquistas do 25 de Abril. Nessa altura o trabalho já estará concluído.

Para combater um Portugal dos czares e um regime de trabalho neo-esclavagista, é preciso uma tomada da Bastilha e umas quantas cabeças cortadas, como na revolução francesa. Se esta corja que nos desgoverna sentisse o cuzinho apertado e se sentisse na iminência de ter que pôr-se em fuga, talvez fosse obrigada a mudar de rumo.

Razão tinha o Otelo Saraiva de Carvalho. O problema foi ter razão antes de tempo...

Portugal está a precisar de outro 25 de Abril mas agora a sério, sem cravos na ponta das espingardas!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Faca na Língua 1- A Dúvida Metódica

Não sei se o leitor também é daqueles que, como eu, acumula revistas e/ou periódicos com a desculpa de que podem conter algo importante e ainda não lido e que seria dilacerante perder esse naco suculento de informação. Como se depreende, eu sou. A acumulação tem um defeito terrível: ocupa muito espaço. Daí que de tempos a tempos seja necessária uma operação de desencarceramento do espaço ocupado por essas revistas e jornais.
E foi numa dessas operações, que “obrigam” sempre ao folhear atento dos espécimes não vá o tal naco informativo fugir-nos, que descobri uma entrevista a Katy Perry com uma pérola escondida, ou melhor, inventada, pelo jornalista/adaptador/tradutor da peça.

Dizia-se então a páginas tantas que os pais da cantora eram “pastores metódicos”, o que me fez entrever duas situações:

Hipótese A: os pais da Katy eram pastores que retiravam as ovelhas da corte sempre segundo critérios precisos, fossem eles a altura, a quantidade de lã ou a média de leite produzida nos últimos quinze dias; que os animais seguiam para a pastagem em fila indiana e lá chegados degustavam a erva tenra por sectores, indicados atempadamente pelos seus metódicos criadores. Até imagino o entusiasmo expectante dos ovinos, à espera do “Bonita, vais pastar no sector C5, ali junto ao sobreiro e tu, Sapuda, ficas com o L3* ali junto ao penedo grande!”
Não será demais imaginar também a ordenha, feita teta a teta da esquerda para a direita, até que o balde se apresentasse cheio em ¾ da sua capacidade… O leitor pode continuar a imaginar…

Hipótese B: o “pastor” que no artigo se refere é de almas e não de ovinos ou caprinos e segue a variante cristã “metódica”, tal como outros são "islamenses", "judeiros" ou mesmo "mormonetanos"! Esta é a hipótese em que tenho de chamar ignorante ao jornalista/adaptador/tradutor do artigo porque, se a dúvida pode ser metódica, “metodist” é sem dúvida alguma “metodista” neste idioma a que se chama português.
Dir-me-ão, “coitado, também não é assim tão relevante, não veio daí nenhum mal ao mundo e etc.”, e eu responderei que, se quiser ser assim ignorante, o seu lugar é numa qualquer “Casa dos Segredos” e não num jornal como o Expresso, na revista do qual encontrei esta pequena pérola.

Como dizia o outro, “I’ll be back!”.

tuguinho, cínico encartado

*not affiliated with Carris

quarta-feira, 23 de março de 2011

O ataque dos porcos - parte 5

O clube dos mafiosos do norte aproveitou umas pedras atiradas a uma porta de uma casa em Coimbra, sem ninguém lá dentro, para descarregar o seu ódio de estimação contra o inimigo obsessivo: o Benfica.

Depois dum comunicado aparentemente pacificador emitido ontem, hoje deixaram cair a máscara e mostraram a verdadeira face. A propósito dum episódio que até parece ter sido preparado de premeditadamente para forjar a ocasião, descarregaram todo o seu veneno no Benfica e no Rui Gomes da Silva, o tal que foi agredido no Porto e a quem o Pinto da Bosta chamou palhaço.

Este segundo comunicado é um dos maiores nojos já vistos no futebol português. Não é que surpreenda porque daquele clube, com aquela gentalha à frente, espera-se sempre tudo do pior. Um clube cujo presidente anda há 30 anos a incendiar o futebol português, a incentivar o ódio e a guerra do norte contra o sul; que andou pelos estádios do país com o guarda Abel e com guarda-costas armados a bater em porteiros; que paga prostitutas e viagens de férias a árbitros; que recebe árbitros em casa na véspera dos jogos; que combina notícias falsas com pseudo-jornalistas como António Tavares Teles; que controla audiências em tribunal pelo poder paternal porque o juiz é amigo; é este o clube que agora se arma em vítima, como se fossem eles os inocentes e os outros os culpados.

O comunicado do Benfica não fez referência a pessoas nem a clubes, mas o clube do norte atira-se como gato a bofe ao Rui Gomes da Silva, que acusa de ser o responsável pelo clima de guerrilha por causa dos comentários que faz na televisão. Curioso, não é? Foi a mesma razão usada pelos agressores de Rui Gomes da Silva, a tal que Pinto da Bosta disse que era simulada. Fugiu-lhes a boca para a verdade. É este o conceito de democracia desta escumalha, ao mesmo tempo que Miguel Sousa Tavares desfia as suas crónicas trogloditas no jornal A Bola ao mesmo tempo que aproveita para atacar a imprensa da capital. Ao que parece, nunca foi molestado pelo que escreve n’A Bola.

No meio desta inqualificável verborreia, ainda se dão ao desplante de dizer que os adeptos deles são diferentes dos outros porque estão habituados a festejar muitos títulos em paz e alegria. Esses mesmos adeptos são os que atacaram os adeptos do Benfica que tentavam festejar em paz e alegria um título conquistado no Porto em 2005, porque são os mesmos que acham que são donos de parte da cidade e que só eles podem celebrar onde lhes apetece; são os mesmos que ameaçam jogadores e treinadores do próprio clube, que assaltam e vandalizam todas as áreas de serviço por onde passam, que apedrejam autocarros e atiram bolas de golfe. Sempre em paz e alegria.

Com esta gentalha não há remédio possível. Não têm princípios, não têm pudor, não têm vergonha. Podem ganhar 10 campeonatos seguidos com 30 pontos de avanço, mas continuarão a ser um desprezível e execrável bando de aldrabões, terroristas, vigaristas e mafiosos.

E quanto ao porco-mor, a única coisa que merecia era um balázio entre os olhos. Era um bem para a humanidade.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

E que tal uma carga de porrada?

Vara passa à frente de todos em centro de saúde

Ex-ministro socialista apareceu de surpresa, passou à frente de todos os doentes e deu ordens a uma médica para lhe passar um atestado. Se os outros utentes lhe tivessem dado uma carga de porrada logo ali, aí sim, ele ia precisar mesmo de um atestado de urgência.

Isto já não vai lá com manifestações, nem greves, nem e-mails. Vai com uma revolta popular que acabe no linchamento de alguns. Ontem vi imagens de manifestações no Iémen e na Líbia, onde os manifestantes tomaram de assalto bases militares. Do que este país está a precisar é que acabem as manifestações pacíficas e haja um assalto aos centros de poder.

1 milhão de pessoas na Av. da Liberdade em protesto contra uma "geração à rasca"? Não, devia ser um milhão de pessoas em frente da Assembleia da República a tomar de assalto o parlamento. Em 75 o parlamento foi sequestrado com o então 1º ministro Pinheiro de Azevedo lá dentro. Do que esta corja precisa é de ser corrida a pontapé. Já não é só uma questão de mau governo, de ser de esquerda ou de direita: é uma questão de despudor e de falta de vergonha, de completo assalto ao bolso e à dignidade dos portugueses. Esta classe política é corrupta e está podre, e já passou todos os limites do admissível e do tolerável.

É preciso uma revolução a sério que deite abaixo esta estrutura para depois reerguer tudo de novo de forma mais limpa. Em 1640 um tal Miguel de Vasconcelos foi atirado de uma varanda. Na revolução francesa houve umas cabeças cortadas na guilhotina. Enquanto não houver umas cabeças cortadas ou uns quantos atirados da varanda este país não se endireita.

Razão tinha o Otelo Saraiva de Carvalho quando queria armar o povo...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Quadratura do Círculo - o nojo


Eu já calculava que não publicassem o meu comentário na página da Quadratura do Círculo. Devo ter utilizado alguma linguagem grosseira quando disse para os comentadores terem vergonha. Mas já que não aparece na página, foi por mail, assim podem mostrá-lo aos comentadores se quiserem.

De facto o último programa da Quadratura do Círculo, emitido no passado dia 10-2-2011, foi vergonhoso. Chegou a enojar-me aquilo que lá se disse. Atingiram o cúmulo da desfaçatez ao passarem um programa inteirinho a zurzir sem só nem piedade no Bloco de Esquerda ("aquela gente", como lhes chamou António Costa), como se o Bloco de Esquerda tivesse alguma culpa do Estado a que o país chegou! A sanha odiosa contra o BE é tal que até chegaram (pasme-se!) a elogiar o PCP! Um partido, dizem, de confiança, mas com quem o PS nunca quer nada, e do qual, em tempos, Dias Loureiro disse numa noite de eleições autárquicas que tudo que o fosse afastar o PCP de lugares de poder era positivo para o país...

Pois agora sou eu que digo: TENHAM VERGONHA, senhores comentadores! Os vossos partidos são aqueles que governaram Portugal nos últimos 36 anos e que o colocaram no buraco em que está. PS e PSD, os irmãos siameses nas políticas e nas práticas da pouca vergonha, repartem as benesses, os tachos, os "boys", as nomeações para reformas milionárias... e a incompetência. Decidem entre si quem deve e não deve ser o Provedor de Justiça, os administradores dos bancos e das grandes empresas onde o Estado ainda tem um resto de controlo, antes de as alienarem aos grandes tubarões, para onde depois irá um ex-ministro. Repartem os ministros que fazem, em nome do Estado, contratos leoninos com empresas para onde depois esses ministros serão nomeados administradores (se para a CGD vão Celeste Cardona e Armando Vara, para a Lusoponte e a Mota Engil vão Ferreira do Amaral e Jorge Coelho).

Esmifram o Estado até ao limite com gastos inúteis e sumptuosos e sugam o pobre contribuinte até ao tutano, cortando ordenados enquanto aumentam para si próprios as despesas de representação! É o cúmulo! E no fim disto tudo entretêm-se durante 60 minutos a desancar no Francisco Louçã e no BE. O Louçã e o BE ainda teriam muito que aprender para se conseguir igualar à capacidade de chulice dos vossos aparelhos partidários. Mas quem os ouvir falar até poderia pensar que estamos perante virgens inocentes que nenhuma responsabilidade têm no caos em que se tornou este país. Até parece que António Costa não foi ministro... Até parece que não arregimentaram excursões para vir a Lisboa festejar a pífia vitória de Costa na autarquia... E depois dá-se ao luxo de desancar "aquela gente" enquanto se entretém a gastar o dinheiro dos contribuintes a construir ciclovias onde ninguém circula e a impôr uma vida de terror a todo e qualquer automobilista que precise do carro para trabalhar em Lisboa e se atreva a esquecer-se da moedinha, porque logo a gatunagem da odiosa EMEL se apressa a cair-lhe em cima.

Estou farto! Desta vez passaram dos limites! Foi a última vez que ouvi a Quadratura do Círculo. Tenham vergonha na cara! Quem julgam vocês que são para dar lições de moral seja a que partido for?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

PS: Nada contra o moderador, Carlos Andrade, que parece ser um homem sério. Mas foi ele que escolheu "aquela gente" que lá está a comentar.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Ponham uma raposa nesta capoeira

VERGONHA! É a palavra que define o que se passa na Federação Portuguesa de Futebol, onde um grupo de dirigentes retrógrados das associações teimam em querer manter, contra tudo e contra todos, um poder decrépito e anquilosado, que foi ultrapassado pelo tempo. À boa maneira do Estado Novo, o regime dá os últimos estertores, desafiando a legalidade, o poder democrático da República e o Estado de Direito. Sempre sob a égide dessa figura sinistra da Associação de Futebol do Porto, que dá pelo nome de Lourenço Pinto, verdadeiro mentor dos golpes baixos que mantêm a longa tradição de “xitos” do tempo de outro Pinto, de seu nome Adriano, um autêntico cancro que minou o futebol português ao longo de décadas com golpes subterrâneos nas assembleias da federação, onde o único objectivo era deter o poder da arbitragem e da disciplina. Coincidência curiosa, este período coincidiu com a ascensão do principal clube da cidade…

Agora, o pseudo-legalista Pinto vem dizer que foi uma vitória da legalidade e do bom-senso. Um nojo! Já há tempo de mais que os Pintos mandam no futebol português. É preciso uma raposa que destrua de vez esta capoeira.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 1 de agosto de 2010

Isto não é um epitáfio

Ontem foi o funeral de António Feio.
Nestas horas somos sempre levados a relativizar a morte. Que foi para um sítio melhor, que não vai desaparecer porque tudo o que realizou vai ficar entre nós. Mas verdade nua e crua é que nem sabemos se foi para um sítio melhor. A única certeza é que perdemos alguém que, pela sua idade, ainda tinha muito para fazer por aqui e não o vai fazer… e perante isto qualquer discussão ou consideração mais ou menos metafísica perde o sentido.
Por isso estamos tristes. Que raio de treta! (sem conversa)

Os diletantes preguiçosos

domingo, 20 de junho de 2010

Os feriados e os deputados inúteis

O 25 de Abril pode-se festejar a 27, disse o imbecil do Ricardo Rodrigues, aquele troglodita do PS que roubou os gravadores aos jornalistas (cada vez mais o PS parece estar reduzido a um bando de “yes men” e atrasados mentais).

Pois eu digo: VÃO PARA A PUTA QUE OS PARIU! A começar pelo próprio Ricardo Rodrigues e pelas senhoras deputadas que parece não terem nada de útil com que se preocupar. Deve ser a única forma de alguém saber quem são, mas não a ouvi falar contra a ridícula tolerância de ponto concedida por ocasião da visita do Papa. Aí já não fez mal nem prejudicou a produtividade?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 6 de junho de 2010

Palhaçadas, paineleiros e patetices

Finalmente acabou a época futebolística em Portugal e, com ela, um ano penoso de comentários televisivos em diversos canais. Distribuídos pela SIC Notícias, TVI 24 e RTP N, temos três painéis de comentadores afectos aos três maiores clubes portugueses, que têm à sua disposição um veículo privilegiado, ainda por cima pago a bom preço, para despejarem os seus conhecimentos ou a sua ignorância futebolística.

Neste aspecto, o pior cenário é o que se passa na TVI 24, no programa “Prolongamento”, onde estão Pôncio Monteiro (FCP), Fernando Seara (SLB) e Eduardo Barroso (SCP). Desde o primeiro programa que foi para o ar, no início de 2009, ficou patente que, mais que um programa de comentário desportivo, aquilo era um programa cómico. Logo na primeira emissão foram evidentes as palhaçadas de Pôncio Monteiro, que já devia estar sossegado em casa a tratar dos netos em vez de estar a fazer a triste figura que faz na televisão.

Fazendo uso da cassete que todos usam lá no burgo, põe aquele ar alarve enquanto olha para o ar como se fosse sair dali uma grande tirada, e depois lá sai mais uma atoarda contra o Benfica e a dizer que o Porto é o melhor do mundo e arredores, porque ele não dá para mais. Durante a última época repetiu até à náusea a conversa do túnel, à falta de melhor argumento, e entre todas as palhaçadas que fez atingiu o auge a seguir ao Porto-Benfica da penúltima jornada do campeonato (3-1), levantando-se várias vezes e indo para o meio do estúdio para demonstrar um túnel que o Belluschi teria feito ao Aimar na jogada do 3º golo. Um autêntico palhaço.

Do lado oposto ao palhaço temos o cirurgião Eduardo Barroso, homem certamente competente e respeitado no seu meio, mas que se comporta como um verdadeiro tontinho, um indigente, com o comportamento mais primário que se possa imaginar, um verdadeiro pateta. Neste campo consegue ser ainda mais obtuso que o Miguel Sousa Tavares, que ao menos fundamenta aquilo que diz, apresentando um discurso tão primário que até mete dó. Debita banalidades e disparates com o ar mais compenetrado do mundo, convencido que está a prestar um grande serviço ao “seu querido Sporting”, sem ter a menor noção do ridículo em que cai. Passa o tempo a dizer que não percebe nada de futebol e a comparar os seus conhecimentos com os de António Pedro Vasconcelos, a citar o que o filho mais velho lhe diz, e a lembrar à saciedade que é antibenfiquista. Pela indigência das suas intervenções, o seu antibenfiquismo primário deve ser, seguramente, o único motivo por que lá está. Só sabe dizer que o Rui Patrício é o melhor guarda-redes português (vá lá saber-se porquê), a vociferar contra o seleccionador pelos jogadores do Sporting que não convoca, a dizer que se não tivessem perdido os pontos todos que perderam estariam a lutar pelo primeiro lugar e a alimentar patéticas esperanças que os adversários do Benfica o derrotem, o que seria a sua grande alegria da época, aliás a única. Até já confessou que os amigos lhe perguntam porque é que é tão troglodita nos seus comentários e não pode com Rui Santos, porque este fala do que de mal se passa no Sporting, tendo classificado de palhaçada a petição entregue pelo jornalista na Assembleia da República. Se o Porto está representado por um imbecil, o Sporting está representado por um pateta.

No meio destas duas anémonas, um Fernando Seara punhos de renda enrola, enrola, enrola, ameaça falar disto e daquilo mas nunca chega a lado nenhum. Parece aquelas equipas que mastigam o jogo a meio-campo mas nunca conseguem concretizar. Como se não bastasse o azar que lhe caiu na rifa no programa, para onde foi para fugir do insuportável Dias Ferreira, ainda tem o azar de ter uma mulher portista e um filho sportinguista… É muito azar para uma pessoa só.

Na SIC Notícias, em “O dia seguinte”, temos dois dos comentadores mais antigos, José Guilherme Aguiar (FCP) e Dias “cão raivoso” Ferreira, um sportinguista que tem um ódio de morte ao Benfica e que chega a ficar vermelho… de cólera com o seu ódio contra o rival da 2ª circular. Enfurece-se quando falam do Sporting e queixa-se quando não falam do Sporting porque não lhe dão atenção. Tem também um ódio de estimação por Rui Santos, contra quem vocifera quase todas as semanas, mas como todas as pessoas de maus fígados não consegue aguentar a resposta e perde-se em longas diatribes contra o jornalista quando este, no “Tempo extra”, riposta aos seus ataques de fúria. José Guilherme Aguiar, apesar de tudo, ainda é dos mais equilibrados nas suas intervenções, fundamentadas e mesmo assim ponderadas. Comparado com os outros, é um oásis de esclarecimento. Entre estes tubarões, o benfiquista Sílvio Cervan costuma ser mais ou menos cilindrado.

No meio desta tristeza, o painel da RTP N no “Trio de ataque” ainda é o mais equilibrado. Rui Moreira (FCP), António Pedro Vasconcelos (SLB) e Rui Oliveira e Costa (SCP) ainda conseguem falar de futebol e discutir as questões técnico-tácticas do jogo e debater taco-a-taco. Neste painel, António Pedro Vasconcelos é o único benfiquista que leva o trabalho de casa preparado para atirar a munição contra os outros com as mesmas armas, o que às vezes tira do sério Rui Oliveira e Costa, que perde a calma perante a frontalidade do cineasta.

Agora vamos estar livres destes “paineleiros” (como lhes chamou Alfredo Farinha) até à próxima época, mas infelizmente começou um mês de indigência televisiva com reportagens diárias da selecção nacional na África do Sul, com os repórteres a fazerem perguntas imbecis a espectadores imbecis para respostas imbecis, com directos do hotel, do treino, do almoço, da ida à casa de banho ou dos jogadores a coçarem o rabo…

Kroniketas, sempre kontra as tretas